terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Por trás do copo

Te olho no bar, de longe
 por trás do vidro transparente de meu copo
nadando no mar de meu êxtase
presa em minha contemplação
mas absolvida em minha imaginação

tu andas com passos altos misteriosos
a procura de algo em mim
olhares absortos
absorvidos
a espera de que talvez me levante
e fale algo
que queiras escutar
e faça algo que te satisfaça

seria interessante ouvir a tua voz
até então salivada em cinema mudo
mas receio tocar o até então intocável
deixar a realidade modificar a expectativa
às vezes prefiro ficar só no olhar mudo
nas risadas da mesa de bar.
tolice torta essa minha, eu sei.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Baseado em você

Enrolei um baseado em você
deslizando em meu lençol de seda
pra ver se esquecia um pouco
daquele estado de sítio em que me declarei
por somente aspirar você

E então você foi entrando em meu corpo
quente e tranquila
fui te respirando
te sentindo
e te desenhando naquele vento
à beira mar de meus devaneios ~

sábado, 21 de janeiro de 2012

Desconcerto do mundo

Nada mais me faz lembrar
a não ser o que esqueci

Nada mais me confunde
a não ser o que ficou claro

Nada mais me acompanha
a não ser os que foram embora

Nada mais me diz
a não ser o que calou

Nada mais me alimenta
a não ser a minha fome

Nada mais muda
a não ser o estático

Nada mais me ilumina
a não ser a escuridão

Nada mais é antagônico
a não ser o idêntico

Nada mais será
a não ser o que foi

Nada mais é injusto
a não ser o tribunal

Nada mais me liberta
a não ser as grades

Nada mais é educado
a não ser o alienado

Nada mais é poluído
a não ser o que é limpo


Nada mais me prende
a não ser a minha fuga


Nada mais a declarar
a não ser o que não foi dito...

domingo, 20 de novembro de 2011

Um analgésico, por favor

Um analgésico, por favor
para remediar
adiar você

a tua dor
anestesiada
fantasiada
não canta mais

e se tudo foi ilusão
que continue sendo
a minha falta de dor

domingo, 4 de setembro de 2011

O pavio de minha vida

Sou como aquela vela. Apenas temporal, com uma chama que vai fervendo meu corpo sólido, escorrendo lágrimas ardentes sobre meu rosto. Queimando o pavio de minha vida, me dissipando em fumaça pelo mundo... Respirando oxigênio e mantendo o incêndio de meus pensamentos.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Transparente

em mim está tudo transparente
como o vidro que nos separa
visível e  imperceptível
existe algo que está ali
eu sei
mas não posso afirmar
muitas vezes apenas me esbarro
me machuco sozinha
percebo apenas quando chego perto
sem saber

transparente como a  água que me embriago
me afogando no deserto
como a fumaça do meu cigarro apagado
que você acendeu com seu isqueiro
esquizofrênica como a sua voz  que canta em meus ouvidos

e por isso sigo dormindo acordada
andando parada
dormindo de ressaca, sonhando sóbria e acordando embriagada.

terça-feira, 5 de julho de 2011

como uma pedra na correnteza

.nexo mais tem não palavras minhas
,mundo do lógica a para pois
entendida ser sem
pedra uma como
ali continuo Então

.ela por levada ser poder sem,
conrrenteza na presa sinto me ,agonizante É

.espaço e tempo em Invertida

.passado meu o futuro meu do Fazendo

.trás pra deixando estou que o somente ,indo
estou onde pra enxergar sem frente pra trás de Andando

.morremos porque entender para nascimento o buscando ,atrás voltar
querendo sempre ,começo um procurando sempre

,frente pra trás de

:assim escrevesse eu se como É

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O vazio espaço quântico entre nós

Existe um espaço vazio que transcende a existência, um espaço vazio que é preciso para movimentar a vida.
O espaço que faz as coisas serem completas sem precisar de serem. O espaço em branco da imperceptível ilusão do mundo.

As pessoas se sentem sem se tocar...
Jamais nos tocaremos de fato. Apenas trocamos energia , mantemos nosso equilíbrio térmico e nos sentimos aquecidos como se existisse uma fogueira entre nós. Não queremos entrar na fogueira nem nos distanciar muito dela então apenas ficamos próximos uns dos outros. Afinal, somos átomos e jamais nos tocaremos, por isso gozamos de nos aquecer.
Mas às vezes o racional de nossos sentimentos vira loucura e é aí que nos jogamos na fogueira, desregulamos  o equilíbrio.
A fogueira é nossa reguladora de emoções: Não devemos fugir da luz nem tentar ultrapassá-la, e sim seguir sempre colocando lenha e se mantendo aquecido.
Somos corpos físicos e vivemos próximos e aquecidos, apaixonados pelo espaço vazio que há entre nós. O espaço que faz com que continuemos juntos sem nos queimar.

domingo, 22 de maio de 2011

A concha de nosso mar

Havia água naquela música,  todos cantavam de olhos fechados deixando escapar salgadas lágrimas em um suave movimento do corpo de um lado para o outro. 
Era como o mar de dentro nós: Infinito, misterioso, indo e vindo sem parar, forte, sereno e nada predestinado; apenas fluindo...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Bala Perdida

Escreverei poesias de amor em suas notas de dinheiro
mais ninguém aceitará minhas notas 
elas de nada valem
pois meus sentimentos rasuram a tua suja razão
e eles jamais terão preço,
jamais trarão lucros para ti.

Farei uma pintura colorida de flores  em suas notas
mas ninguém aceitará minhas flores 
elas nada valerão
tua suja razão as arrancam do jardim
e as faz murchar

Farei um barquinho com suas notas de dinheiro
mas ninguém navegará
pois minha boba imaginação
não te trará lucros
sua suja ganância afunda meu barco

Meus bons sentimentos e minha imaginação  
sempre irão rasurar seu dinheiro
tornando-o inválido
apesar de o sentimento ser verdadeiro
a nota não será mais verdadeira
e por isso eles de nada valerão para ti

E nesse jogo em que suas notas tornam cartas
você joga sujo com você mesmo
enganando a todos
com suas notas na manga
em uma guerra fria e amarga 

Mas seu dinheiro não comprará nem uma doce bala
pois sua ganância ainda continua amarga
saboreando sua própria sujeira
engolindo sua própria vida
e um dia tu te engasgarás com teu próprio dinheiro
e morrerá com tua própria amarga bala perdida

E nós continuaremos vivos pois ninguém jamais será capaz de comprar nosso sonho.

sábado, 2 de abril de 2011

Incêndio

é difícil achar as palavras certas para o que se sente

apenas abro e fecho a porta
está tudo incendiando e eu tenho que sair, eu sei
mas não sei o que fazer, não sei onde você está

eu queria só te encontrar
te entender
me entender
me salvar

mas o que se tem
é apenas uma visão perdida
entre a fumaça e o desespero

agora me remexo sobre a madrugada
angustiada tentando entender porque você voltou a se perder em mim
e eu só quero encontrar a minha verdade em você
não quero te ferir jamais

eu já nem sei se estou misturando as bebidas
o fato é que ainda nao encontrei as palavras

me sinto tateando-as no escuro
me sinto escutando-as no barulho
mesmo sendo madrugada clara e silenciosa

o fato é que o você ainda incendeia meu copo de alcohol
não há saídas de emergência
a única saída é ficar

e eu poderia estar num sonho louco qualquer que a gente esquece quando acorda
mas eu estou acordada enlouquecendo e vou dormir lembrando de tudo

sábado, 12 de março de 2011

Trago

seu perfume, seu cigarro
o doce e o amargo
trago comigo
queimando meus pensamentos
embriagando meus desejos

sábado, 29 de janeiro de 2011

Ecos de sol


Lá, Sí foi a luz...

A corda afinada que nos unia
se partiu junto com você
teu violão esquecido desafina 
canções  solitárias empoeiradas
eu desatino e vou tocando o pesar

Então fecho meus olhos
como o tempo que se fecha
em chuvas e trovoadas

 Até então ouvir o som repetido de uma só corda
se acelerar cada vez mais
até parar em um estrondo
era a última nota que se partia com ecos de solidão: sol



P.s:
Leia também: http://poesiascruzadas.blogspot.com/2010/02/cortina-de-estrelas.html
um drama completa o outro! haha

sábado, 13 de novembro de 2010

Copo Azul

Respiro goles de café
quente e amargo
meu óculos embaça e desembaça
como um instável temporal a cada expiração

e não bebo em pequenas xícaras
bebo em grandes copos azuis
para sentir teu calor ardente
assegurado em minhas mãos

minha visão se limita apenas ao esvair do café no copo
pouco a pouco meu reflexo vai se esvaziando
dando espaço à distorcida visão azul de ti
afogada em minhas insônias

mas o forte toque do copo à mesa me diz:
não estás aqui...
Pequeno delírio azul.

sábado, 16 de outubro de 2010

Caixa Branca

Más são as grades que me deixam te ver... Apenas uma fria visão chuviscada de uma tv mal conectada....Uma rede jogada no fundo do mar me arrastando como peixes desesperados...Uma peneira cruel nos separando...

Não gosto do vento dividido que transpassa as grades são como tiros em mim, o vento passa como se ali nada existisse, não há peso, não há vida, nem a tempestade é capaz de levar...

E eu não gosto de respirar o ar por brechas como um animal que se mantém conservado para uma morte futura...Como um pássaro engaiolado que canta por liberdade...

Estou preferindo os muros que me fazem esquecer do incansável horizonte...Prefiro viver no branco das paredes e do teto...Eles se fecham e no escuro interior de minha caixa branca, que o vento arrasta pelo mundo...Tão criminosa que sou ainda tenho vida perpétua em minha imaginação!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

"...a cada página um risco, a cada capítulo uma letra..."

Ela escreveu sua poesia na lateral de  meus livros, por cima da espessura daquele amontoado de folhas juntas..
Agora é difícil apagá-la de mim pois ela não é uma simples folha que quando arrancada não faz muita diferença...
Ela é toda a minha história, todas as minhas palavras...
A cada página um risco, a cada capítulo uma letra...
Deslizo as folhas de meus livros rapidamente sobre meus dedos e vejo a poesia dela ser rapidamente formada, em poucos segundos li todas as minhas inúmeras páginas com apenas uma palavra: ela.